quarta-feira, 1 de abril de 2020

Patti Smith

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Patti Smith

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sábado, 21 de fevereiro de 2015

Arvo Part


Os três alunos pobres da turma...


Era uma vez uma turma com dezanove alunos. Quinze desses alunos eram muito ricos. Um dos alunos era considerado remediado e três eram muito pobrezinhos!
O professor da turma era dotado duma particularidade: tinha três cabeças! Pensar com uma cabeça já é difícil, agora pensar com três é um autêntico quebra cabeças...No essencial, este professor, muito disciplinado e organizado, reflectia as orientações metodológicas dos donos dos colégios universais.
Do grupo dos quinze alunos muito ricos, emergia um super-dotado, com uma capacidade de raciocínio aliada a uma capacidade de realização notáveis.Alto, loiro, de olhos azuis de origem germânica, exercia um fascínio sobre toda a turma.O próprio professor submetia-se à suas exigências, seguindo as suas recomendações e orientações.
Os três alunos pobrezinhos viviam horas difíceis. A sua adaptação a um grupo tão sofisticado e exuberante, era uma tarefa árdua. As agruras do meio contribuíam fortemente para uma baixa auto-estima. A subserviência era a maneira prática dos pobrezinhos sobreviverem e de serem aceites pelos colegas muito ricos! O desdém da turma para com os seus colegas da periferia, pobres e preguiçosos era aviltante. Exigiam regras comportamentais duras, vexatórias e lesivas da suas própria dignidade.
Um dos pobrezinhos, de origem helvética, num assomo de revolta, disse em voz alta " Basta!" .
Todos se entre-olharam, o professor entrou em pânico, os meninos ricos pasmaram com a desfaçatez do indigente! O aluno sobre-dotado vociferou " Não há mais dinheiro para o pobre"!.
Os outros dois pobrezinhos, de origem ibérica, contra o que era expectável,zombaram e riram-se com desprezo do helvético.Dotados duma fidelidade canina, fartos de serem pobres alinharam com os ricos, e opuseram-se com tenacidade contra os desvarios do colega helvético.
A comunidade ibérica ruborizou de vergonha. Os seus dois bons alunos tinham ficado de cócoras!!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Eu sou Syrisa

 O Partido Syrisa, ao conquistar o Poder na Grécia, por via eleitoral,de forma inquestionável, constitui uma verdadeira pedrada no charco!
Sufocados pela via única da austeridade, comandados pelos governos do centro da Europa, a eleição clara e inequívoca do Syrisa pode não ter sucesso, mas é um autêntico balão de oxigénio para todos os povos do sul da Europa.Na vida nunca há apenas um caminho, eis a mensagem do povo grego!

domingo, 6 de julho de 2014

Judas Iscariote



Nunca compreendi a queima do Judas, praticada por algumas comunidades católicas, e a jocosidade subjacente. Desde muito novo nutri uma certa compaixão e admiração por este apóstolo maldito!
Judas Iscariote, como homem simples e bom, foi um dos doze apóstolos escolhidos de Jesus de Nazaré, para o Seguirem e espalharem a sua Mensagem.
Segundo as escrituras, o Messias seria traído por um dos seus seguidores. Iscariote, a troco de trinta moedas de prata, entregou Jesus aos Fariseus, denunciando-O com um beijo. Estes, com o apoio do povo Judeu, cruxificaram Jesus no Monte Calvário!
Nesse mesmo dia, depois de ter recebido as trinta moedas de prata como recompensa da traição, estas queimando-lhe as mãos e atormentando-lhe a alma, Judas, depois de lançar  as moedas  ao rio , enforcou-se! Esta traição, esteve na origem da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, festa da Páscoa , principal celebração da Igreja Católica.
O que pretendo relevar em Judas é a sua dignidade e honra como expiou o seu pecado!
É tempo de resgatar Judas Iscariote definitivamente da escuridão das trevas.
Nos dias de hoje, as traições não mais provocam tormentos de alma, as trinta moedas não são atiradas ao rio, mas depositadas em bancos com elevadas taxas de rendibilidade e parte-se tranquilamente de férias para um resort luxuoso.

A Estação de Comboios de Mirandela




Este , outrora belo,  edifício da Estação dos caminhos de ferro de Mirandela, encontra-se em acelerado estado de  deterioração . Não é compaginável com a bonita cidade de Mirandela. O seu restauro é uma necessidade não só decorrente da preservação intrínseca do património edificado, mas também pela simbologia inerente a esta Estação. Foi aqui que teve origem a famosa marca “ Alheiras de Mirandela”. Gostaria que continuasse a ser a Estação dos Comboios. Mas, dado o infeliz abandono a que foram votadas as linhas férreas, a linha do tua  era uma das mais belas da europa,  fica uma sugestão : reconverter a Estação num belo museu da “ Alheira de Mirandela”.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

desertificação

Este governo, na linha do anterior, continua a fechar escolas do 1º ciclo.
A escola de Chacim- Macedo de Cavaleiros, está para fechar.
Depois das linhas férreas, dos centros de saúde, dos tribunais, das repartição de finanças, dos correios,   está na hora das escolas públicas do 1º ciclo. Que configura esta estratégia de esvaziar o território de pessoas? Que respostas concertadas têm os autarcas do nosso distrito? Qual a sua visão estratégica de desenvolvimento sustentado?

Chacim, freguesia com pergaminhos históricos importantes, dotada de ensino privado até ao 9º ano de escolaridade, não devia  ser  privada de ensino público do 1º ciclo!

terça-feira, 23 de julho de 2013

o rio da minha aldeia...

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que nele está,
A memória das naus.

O Tejo desce  de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no no que há para além
Do rio da minha aldeia.



O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

alberto caeiro
 

terça-feira, 16 de julho de 2013

itinerários: minha chegada a macedo de cavaleiros


Cheguei a Macedo de Cavaleiros de comboio. Tinha 25 anos. Na estação, os canteiros cuidados e floridos, pareciam estar ali propositadamente para saudar, com os seus suaves e inebriantes perfumes, os passageiros desembarcados. De fronte vislumbrei uma imponente e majestática serra. O apito lancinante da locomotora, despertou-me do fugaz encantamento. A mala que transportava pareceu pesada demais. O comboio retomou a sua marcha lentamente, sujeitando os carris a um ranger forte e dorido, rumo a outras paragens  como se despedisse de mim. Fiquei só por uns momentos. Linda aquela serra!

Bornes é o seu nome, vim a saber mais tarde. É pesada a minha mala. Anteriormente não tinha notado. Para além das roupas, talvez o mais pesado fossem os sonhos que secretamente carregava junto dos meus inseparáveis livros. A viagem do Porto até ao Tua tinha sido encantadora, mas o troço em linha estreita do Tua até Macedo de Cavaleiros foi deslumbrante! A respiração fica suspensa com tamanha beleza. Esplendorosa paisagem que apazigua a nossa alma. Notável o telúrico esforço daqueles nossos antepassados que esventraram e perfuraram as fragas, tornando possível a colocação da linha férrea. Lindo o rio, serpentando as colinas, lá ao fundo, adornado por amieiros, freixos e salgueiros. Hoje, a linha férrea jaz moribunda e abandonada, para nosso opróbrio. No início dos anos oitenta, quando o governo de então, desenhou o seu encerramento, escrevi um texto que originou um abaixo-assinado com centenas de assinaturas contra o seu encerramento. Debalde, a linha foi encerrada, o alcatrão venceu. Até agora…Os autarcas da região agrilhoados a critérios político-partidários, ficam indelevelmente ligados a esta infausta e funesta decisão…
No centro da vila, junto ao edifício da Câmara Municipal, encontrei a pensão Flórida. Permaneci duas noites nesta pensão até me hospedar numa casa particular. No dia seguinte apresentei-me na Escola Preparatória, funcionava onde hoje se ergue o Edifício Translande. Gostei da Escola. Adaptada, funcional e simples. A minha estreia como professor foi seguida com interesse pelos colegas mais velhos. Incentivaram-me, deram-me alguns conselhos, irradiavam entusiasmo na arte de ensinar. Depois da minha primeira aula, esperaram-me no corredor para saber como tinha decorrido. Gesto bonito e reconfortante, que me sensibilizou e nunca mais esqueci. A maioria dos meus primeiros alunos era da aldeia. Tinham bastantes carências ao nível social, económico e cultural, mas eram dotados duma simplicidade comovente. Eram humildes e afectuosos, generosos e obedientes. O aprumo e a higiene, requeriam alguns cuidados. Muitas vezes não tomavam o pequeno-almoço em casa. Os professores responsáveis pela direcção rapidamente atalhavam estas situações. Todos os professores estavam atentos e a solidariedade não era uma palavra inócua. Nos intervalos, de repente, já se jogava xadrez e damas em torneios organizados por professores e alunos. Aos meus, que se destacavam no confronto com os outros, oferecia livros. O entusiasmo e a alegria polvilhavam o ambiente escolar.
Com o decorrer do tempo, conheci o Presidente da Câmara, no seu estabelecimento comercial. Era uma espécie de lugar de tertúlia! Ali se juntavam comerciantes, professores, advogados, agricultores, e povo em geral. Como era fácil encontrar e dialogar com o Presidente da Câmara! Ao contrário dos grandes centros, que ninguém conhecia ou sabia quem era o Presidente, aqui, ao virar da esquina, cumprimentava-se o Presidente. Para todos, tinha uma palavra amiga de conforto e esperança na resolução daquele problemazito pessoal que por vezes lhe era colocado. Era uma pessoa boa o Presidente. Recordo com saudades as conversas misturadas com a venda de botões, alfinetes e peças de vestuário medidas a metro, e cruzadas com as perspectivas entusiásticas da construção do novo hospital e da barragem do Azibo, obras emblemáticas do Presidente Pescadinha e estruturalmente marcantes para o desenvolvimento de Macedo de Cavaleiros. Recordo um episódio, peculiar da sua personalidade, quando já exercia funções na câmara em regime de avença. Ao sair dum gabinete, deparo-me com uma senhora, vestida de preto, com ar sombrio e triste. Interpelei-a no sentido de tentar compreender a razão da sua amargura. Pretendia prolongar a sala de sua velha casa, devido à existência de humidade que a afligia durante anos, construindo três paredes em cima do logradouro. A informação técnica do arquitecto, e de acordo com as normas em vigor, devia apresentar um projecto de arquitectura quer de toda a casa existente, quer da parte nova a construir. Esta exigência normativa, implicava uma despesa na ordem dos 100 a 150 contos, completamente fora do alcance desta senhora de Lagoa. Subi ao piso superior, em direcção ao gabinete do Sr. Presidente. Expus-lhe a situação.

De imediato, chamou o Jorge, funcionário da secção de Obras e solicitou que se fizesse acompanhar do processo da senhora. Leu a informação técnica atentamente e exarou o despacho “ Apesar da informação técnica, emita-se a licença de obras”. Gesto bonito e cheio de generosidade.  impossível nos dias de hoje.
Mas as relações entre a Câmara e as juntas de freguesia estavam inquinadas pela partidarite, resultante do sistema eleitoral vigente, que visa eleger não os melhores, mas os carreiristas filiados em partidos políticos, apostados em melhorar o seu modo de vida em detrimento das populações que dizem representar. Sempre manifestei discordância  à formalização de listas partidárias ao nível das eleições para as freguesias e até mesmo para a Câmara Municipal. Não faz sentido dividir as pessoas, idóneas, competentes e com o sentido cívico forte de servir as populações, através da compartimentação de listas partidárias. O conceito de esquerda versus direita não faz qualquer sentido neste tipo de eleições. Lembro-me de quando estava no serviço militar, numa acalorada assembleia de militares, no ano de 1975, um Sargento-Ajudante, tomar a palavra e questionar “ … estamos para aqui fartos de falar em esquerda e em direita, mas gostaria que me esclarecessem: afinal o que é a esquerda e o que é a direita? “ Silêncio absoluto. O oficial miliciano que estava na mesa a moderar a reunião solicitou: “ alguém pretende responder ao Sr. Sargento-Ajudante? “ Silêncio novamente. Ninguém ousava tomar a palavra. Repentinamente dirigi-me à mesa disposto a responder à pergunta. Ao olhar para a assembleia de militares, fiquei aturdido. Quase quinhentos militares à espera do meu contributo.
O meu coração batia com tanta intensidade que parecia saltar-me do peito. Com tanta ansiedade não iria conseguir articular qualquer tipo de ideia. Tinha 22 anos. A minha experiência política era nula. Resumia-se à leitura de meia dúzia de livros de ciência política. Grande sufoco! Que raio de ideia tive. Estava ali tão bem sentado! Respirei fundo algumas vezes. Até que … disse “…o conceito de esquerda e direita tem origem nos primórdios do parlamentarismo inglês.
 Os deputados representantes das elites privilegiadas financeiras, do capitalismo industrial e dos grandes proprietários sentavam-se no lado direito do parlamento. Os representantes das camadas mais desprotegidas da população, dos trabalhadores assalariados, sentavam-se do lado esquerdo do parlamento. Assim, os partidos da direita,  agora constituídos, na sociedade portuguesa, tenderão a representar os interesses das elites que sustentaram o antigo regime, os partidos da esquerda tenderão a representar os interesses do povo português, que se encontrava amordaçado e desprovido dos mais elementares direitos de cidadania ”. Uma estrondosa salva de palmas permitiu-me descortinar o lugar onde estava sentado. Uf! Que alívio---



sexta-feira, 1 de março de 2013

A mulher dos meus sonhos...

...naquele dia o rio estava com um caudal  forte e agitado.
Numa das suas margens envolta em claridade matinal estava eu.

Na outra margem, num  nevoeiro inusitado  e indefenido  estava uma linda  mulher  num  bonito vestido branco. Apesar das águas revoltas  e da forte corrente entro num barco disposto a atravessar o rio em sua direcção. A bonita mulher observa atentamente num ponto alto da outra margem.
Remo forte, mas o barco não se desloca para a outra margem. Apesar de mais e mais fortes e contínuas remadas o barco não consegue vencer a distância que separa as duas margens.
Exausto, observo que a mulher encantadora, muito elegante vira as costas e desaparece calmamente por entre os pedaços de nevoeiro.
Remo, remo e remo mais mas não consigo... acordo ofegante!
Sempre fui um bom remador, desde muito novo que remo muito bem ,mas sempre com rumo incerto...e sem porto de chegada...