idiossincrasia, húmus socio-cultural, tradições, raízes geográficas, históricas e económicas, crenças e costumes.modos de ser e de estar.
domingo, 11 de novembro de 2012
sábado, 10 de novembro de 2012
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
A auto-estrada transmontana e o convento de stª Clara
Na sequência dum artigo de um transmontano de Moncorvo, publicado no jornal " Publico" , que defendia que o restauro do Convento de Santa Clara de Vila de Conde poderia ter sido feito através da verbas gastas na construção da autoestrada de Trás-os-Montes, reagi , tendo o jornal tido a fineza de publicar a minha reação.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
domingo, 19 de agosto de 2012
Hino de Amor à Natureza
O
Chefe Seattle, que viveu entre 1786 e 1866, era o líder das tribos Duwamish e
Suquamish, que viviam no território do que hoje é o Estado de Washington, nos
Estados Unidos da América.
Ele
era um indígena, com certeza, o mais inteligente entre o seu povo, para lhe ter
sido concedida a honra (naquele tempo os Homens ainda tinham honra) de dirigir
os destinos das suas tribos.
Seattle
não estudou na universidade dos homens, no entanto era daqueles que via para
além do visível. Era um Homem que pensava com todos os seus sentidos e sentia
com toda a sua razão.
Para
ele, a ignorância do homem branco era incompreensível: por que exterminaria os
búfalos? Por que domaria os cavalos selvagens? Por que encheria os locais
recônditos das florestas com a respiração de tantos homens? Por que mancharia a
paisagem exuberante das colinas com fios falantes? Onde estava o matagal? Onde
estava a água?
Na
verdade, a vida para um ser pensante é algo de muito sagrado, de muito
autêntico, de muito natural; é algo que faz parte integrante da harmonia e do
equilíbrio cósmicos, mistérios apenas compreensíveis aos grandes espíritos.
O
Chefe Seattle era um desses grandes espíritos. Um indígena cuja universidade
foi a sua própria inteligência, a sua intuição de ser humano, a sua percepção
de um mundo do qual ele era parte integrante, e tudo o que se fizesse de mal
contra esse mundo, destruiria o próprio homem.
Em
1854, o Chefe Seattle dirigiu-lhe, então, as palavras que aqui se transcreve,
consideradas o mais belo hino de amor à Natureza, de uma lucidez rara, para
quem se dizia apenas um selvagem que nada compreende. Porém, apenas um
“selvagem” teria esta percepção da Vida.
E
porque a carta é de uma actualidade perturbadora, eis o seu conteúdo:
O grande chefe de Washington mandou dizer que desejava comprar a nossa
terra, e assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil da
sua parte, até porque sabemos que ele não precisa da nossa amizade.
Vamos, porém, pensar na sua oferta, pois se não o fizermos, o homem branco
virá com armas e tomará a nossa terra. O grande chefe de Washington pode
confiar no que o Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que os nossos irmãos
brancos podem confiar na alteração das estações do ano.
A minha palavra é como as estrelas: não empalidecem.
Como podeis comprar ou vender o céu ou o calor da terra? Tal ideia é-nos
estranha. Se não somos donos da pureza do ar ou da refulgência da água, como
podeis então comprá-los? Cada quinhão desta terra é sagrado para o meu povo;
cada folha radiosa de pinheiro, cada praia arenosa, cada véu de neblina na
floresta escura, cada clareira e insecto a zumbir são sagrados nas tradições e
na consciência do meu povo. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as
recordações do pele-vermelha.
O homem branco esquece a sua terra natal, quando, depois de morrer, vagueia
por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem esta terra formosa, pois
ela é a mãe do pele-vermelha. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As
flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia são
nossos irmãos. Os cumes rochosos, os eflúvios da planície, o calor que emana do
corpo de um mustang, e o homem, todos pertencem à mesma família.
Portanto, quando o grande chefe de Washington manda dizer que deseja
comprar a nossa terra, ele exige muito de nós. O grande chefe manda dizer que
irá reservar para nós um lugar onde possamos viver confortavelmente. Ele será
nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, vamos considerar a vossa oferta
de comprar a nossa terra. Mas não vai ser fácil, porque esta terra é para nós
sagrada.
Esta água cristalina que corre nos rios e regatos não é apenas água, mas
também o sangue dos nossos ancestrais. Se vos vendermos a terra, tereis de vos
lembrar que ela é sagrada e tereis de ensinar aos vossos filhos que é sagrada e
que cada reflexo espectral na água límpida dos lagos conta os feitos e as
recordações da vida do meu povo. O rumorejar da água é a voz do pai do meu pai.
Os rios são nossos irmãos, eles apagam a nossa sede. Os rios transportam as
nossas canoas e alimentam os nossos filhos. Se vos vendermos a nossa terra,
tereis de vos lembrar e ensinar aos vossos filhos que os rios são irmãos nossos
e vossos, e tereis de conceder aos rios o afecto que daríeis a um irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele
um quinhão de terra é igual a outro, porque ele é um forasteiro que chega na
calada da noite e tira da terra tudo o que necessita. A terra não é vossa irmã,
mas sim vossa inimiga, e depois de a conquistar, partis, indiferentes, deixando
para trás os túmulos dos vossos antepassados. Arrebatais a terra das mãos dos
vossos filhos e não vos importais. Esquecidos ficam as sepulturas dos vossos
antepassados e o direito dos vossos filhos à herança. Vós tratais a vossa mãe
(a terra) e o vosso irmão (o céu) como coisas que podem ser compradas,
saqueadas, vendidas como ovelhas ou missangas resplandecentes. A vossa
voracidade arruinará a terra, deixando para trás apenas um deserto.
Não sei. Os nossos costumes diferem dos vossos. A visão das vossas cidades
causa tormento aos olhos do pele-vermelha. Mas talvez tal aconteça por ser o
pele-vermelha um selvagem, que nada compreende.
Não há sequer um lugar calmo nas cidades do homem branco. Não há um lugar
onde possa ouvir-se o desabrochar da folhagem na Primavera ou o vibrar das asas
de um insecto. Mas talvez assim seja por eu ser um selvagem que nada
compreende; o ruído parece apenas insultar os ouvidos. E que vida será a de um
homem que não pode ouvir a voz solitária do curiango ou, à noite, a conversa
dos sapos em volta de um pantanal? Sou um pele-vermelha e nada compreendo. O
índio prefere o suave murmúrio do vento a pairar sobre uma lagoa e o cheiro do
próprio vento, purificado por uma chuva do meio-dia, ou rescendendo a pinheiro.
O ar é precioso para o pele-vermelha, porque todas as criaturas o
partilham: os animais, as árvores, o homem.
O homem branco parece não compreender o ar que respira. Como um moribundo
em prolongada agonia, ele é insensível ao ar fétido. Mas se vos vendermos a
nossa terra, tereis de vos lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar
compartilha o seu espírito com toda a vida que ele sustenta. O vento que deu ao
nosso bisavô o seu primeiro sopro de vida, também recebe o seu último suspiro.
E se vos vendermos a nossa terra, devereis mantê-la reservada, feita santuário,
como um lugar em que o próprio homem branco possa ir saborear o vento, cingido
pela fragrância das flores campestres.
Desse modo, vamos, pois, considerar a vossa oferta para comprar a nossa
terra. Se decidirmos aceitar, colocarei uma condição: o homem branco deverá
tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e desconheço que possa ser de outro jeito. Tenho visto
milhares de búfalos apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco, que
os abate a tiros disparados do comboio em movimento. Sou um selvagem e não
compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante do que o
búfalo que nós, os índios, matamos apenas para nos alimentarmos.
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem
morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo quanto acontece aos
animais, acontece ao homem. Tudo está relacionado entre si.
Deveis ensinar aos vossos filhos que o chão que pisamos são as cinzas dos
nossos antepassados. Para que tenham respeito pelo país, contai aos vossos
filhos que a riqueza da terra é a vida da nossa família. Ensinai aos vossos
filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é a nossa mãe. Tudo quanto
fere a terra, fere os filhos da terra. Se os homens cospem no chão, cospem
sobre eles próprios.
De uma coisa sabemos: a terra não pertence ao homem, é o homem que pertence
à terra. Disso temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue
que une uma família. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a
terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a teia da vida:
ele é meramente um fio dessa mesma teia. Tudo o que ele fizer à teia, a si
próprio o fará.
Os nossos filhos viram os seus pais humilhados na derrota. Os nossos
guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo
ociosamente, envenenando o corpo com alimentos adocicados e bebidas
embriagantes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos
dias, eles não serão muitos. Mais algumas horas, menos uns Invernos, e nenhum
dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra ou que têm vagueado em
pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar sobre os túmulos, um povo
que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.
Compreenderíamos, talvez, se conhecêssemos os sonhos do homem branco; se
soubéssemos quais as esperanças que transmite aos seus filhos, nas longas
noites de Inverno; quais as visões do futuro que oferece às suas mentes, para
que possam formular desejos param o dia de amanhã. Somos, porém, selvagens. Os
sonhos do homem branco são para nós um enigma, e por serem um enigma, temos de
escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos, será para garantir as
reservas que nos prometestes. Lá, talvez possamos viver os nossos últimos dias
conforme os nossos desejos. Depois que o último pele-vermelha tiver partido e a
sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar sobre as pradarias, a
alma do meu povo continuará vivendo nestas florestas e praias, porque nós as
amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe.
Se vos vendermos a nossa terra, amai-a como nós a amamos. Protegei-a como
nós a protegemos. Nunca esqueçais de como era esta terra quando dela tomastes
posse. E com toda a vossa força, o vosso poder e todo o vosso coração,
conservai-a para os vossos filhos, e amai-a como Deus nos ama a todos. De uma coisa sabemos: o nosso
Deus é o mesmo Deus, e esta terra é por Ele amada. Nem mesmo o homem branco
pode evitar este nosso destino comum.
Nem o homem branco, cujo Deus com ele passeia e conversa como amigo para
amigo, pode evitar este destino comum. Poderíamos ser irmãos, apesar de tudo.
Vamos ver. De uma coisa sabemos, e talvez o homem branco venha, um dia, a
descobrir também: o nosso Deus é o mesmo Deus. Talvez julgueis, agora, que O
podeis possuir do mesmo modo que desejais possuir a nossa terra. Mas não
podeis. Ele é Deus da Humanidade inteira, e a Sua piedade é igual para com o
pele-vermelha como para o homem branco. Esta terra é amada por Ele, e causar
dano à terra é desprezar o Seu criador. Os brancos vão também acabar; talvez
mais cedo do que todas as outras raças. Continuais a poluir a vossa cama e
haveis de morrer uma noite, sufocados pelos vossos próprios desejos.
Porém, ao perecerem, vós outros caminhais para a vossa destruição rodeados
de glória, inspirados pela força de Deus que vos trouxe a esta terra e que, por
algum especial desígnio, vos deu o domínio sobre ela e sobre o pele-vermelha.
Esse desígnio é para nós um mistério, pois não entendemos por que exterminam os
búfalos, domam os cavalos selvagens, enchem os locais recônditos das florestas
com a respiração de tantos homens, e mancham a paisagem exuberante das colinas
com fios falantes. Onde está o matagal? Destruído. Onde está a água? A
desaparecer. Restará dizer adeus às andorinhas e aos animais da floresta.
Este é o fim da vida e o começo da luta pela sobrevivência.
***
A
maioria do território das tribos do Chefe Seattle foi adquirida através da
assinatura do Tratado de Point Elliot. Estes povos ficaram confinados à Reserva
Indígena de Port Madison.
sábado, 18 de agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
O ALQUEIRE

Com a conquista do território aos árabes, adquiriram-se também os seus modos, usos e costumes. A forma de medir a quantidade dos cereais era através duma medida chamada alqueire. No reinado de D. Afonso Henriques, utilizou-se o alqueire exactamente de acordo com a medida usada já pelos arábes, que correspondia a 3,5 litros de cereal. A sua utilização generalizou-se pelas diferentes regiões do reino, no entanto cada localidade adaptou-o de acordo com a sua organização social, cultural e económica.Tentou o nosso 1º Rei, uniformizar o alqueire em todo o reino, mas não conseguiu. Foi mais fácil vencer os mouros do que padronizar as medidas do alqueire.
Sucederam-se outros reis, tais como D. Afonso IV que decretou que o alqueire deviria corresponder a 8,7 litros em todo o reino, mas cada região teimosamente usava o seu alqueire. D. Pedro I o justiceiro, alterou o alqueire para 9,8 litros, mas de igual modo não conseguiu impô-lo. Seguiu-se a Reforma Manuelina com o seu alqueire já nos 13,1 litros, mas o povo não cedia. Cada local tinha o seu alqueire e não havia nada a fazer. Mesmo depois do terramoto de 1755, o marquês de pombal alinhou com o alqueire usado em Espanha, mas também resultaram infrutíferas as suas tentativas da aplicação a todo o país. Seguiu-se a tentativa da República e o Estado Novo, mas debalde.
É que o alqueire foi
também usado como medida de superfície, e esta era medida de acordo com a
semente que levava um alqueire, que era espalhada no terreno.Cada vila do reino
tinha a sua forma de medir os terrenos e mexer nisto, era como tocar na alma do
povo. Conforme a região o alqueire podia medir entre 13 litros a 19 litros. As
populações deslocavam-se para comprar sementes, às vilas aonde fosse maior o
alqueire.O preço do alqueire pouco ou nada variava entre localidades, a medida é que
era diferente.
Nem mesmo o
sistema métrico ofuscou o alqueire. Finalmente este cedou , por imperativos
comerciais ditados pela conquista de outros mercados, ao sistema internacional .O alqueire, como outras medidas
agrárias, estavam assim indissociávelmente ligadas à vida da gentes
rurais. Curioso foi o episódio, protagonizado por um senhora duma aldeia de
tras-os-montes, vestida de negro com lenço e um feixe de lenha à cabeça, indagada
por um jornalista vindo da capital, se ela ia votar na assembleia
constituinte, decorria então o ano de 1976. Ela respondeu afirmativamente. -E sabe o
que é a assembleia constituinte ? retorquiu o jornalista.-Eu não senhor, não
sei ! disse a senhora.- E o senhor sabe o que é o alqueire? atirou mortífera a aldeã.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Cidraque - O meu treinador
Nos meus dezasseis, dezassete anos pratiquei remo.O meu treinador chamava-se Cidraque. Homem com face de tez tisnada, rugas vincadas, de músculos proeminentes. Fumava e bebia vinho tinto, era bom conversador.Gostava da garotada. Os putos admiravam-no. Tinha sido barqueiro no rio douro. Com o seu caíque a remos rebocava barcaças enormes cheias de mercadorias que tinham sido descarregadas dos enormes navios atracados no cais de gaia. Que saudades daquele cais de gaia! Que pulsar de vida naqueles tempos. Lembro-me dos enormes rebocadores, que ajudavam os enormes navios a inverter o sentido de navegação, recordo os enormes guindastes, o movimento contínuo dos tripulantes e estivadores, dos mercadores e agentes marítimos, lembro-me do vai e vem das mercadorias, das vagonetas nos carris, da azáfama dos conferentes, do escalar dos trabalhadores, da tristeza profunda daqueles que não figuravam na escala! Tempos duros, mas também exaltantes e coloridos. Hoje o cais de gaia é um recinto triste, falsamente moderno, plastificado, pouco digno das suas raízes históricas. Falava do meu treinador Cidraque. O seu caíque parecia que tinha motor. Remava com energia, bem coordenado, remada forte e ritmada. A sua barcaçava deslizava suavemente nas águas do douro. Remava desde menino, seu pai passou-lhe este ofício, para alem da pesca não sabia fazer mais nada. Na reforma tornou-se treinador de remo. Ensinava-nos a posição das costas no banco dos barcos de remo de competição, o movimento das pernas, como devem entrar os remos na água, o movimento das mãos e dos pulsos, a importância da remadas sincronizadas, a coordenação imposta pelo timoneiro . As corridas eram ao Domingo de manhã. Por vezes éramos primeiro, muitas vezes perdíamos. Mas o nosso treinador Cidraque, insistia que não se preocupava com a chegada. Era exigente com a nossa remada, com o nosso esforço, com a nossa entrega. No dia da prova era muito tolerante com o resultado, ao contrário, nos dias de treino era implacável.Várias vezes afirmava que podíamos chegar em último desde que dessemos o nosso melhor. Podíamos não ter ninguém à nossa espera na linha da meta, isso não era importante, o importante era o nosso quer, o nosso esforço, a nossa vontade intensa de remar forte e coordenadamente.Que sabedoria a do meu treinador!Só mais tarde percebi a sua filosofia de vida . Como o recordo nos dias de hoje.
sexta-feira, 16 de março de 2012
A minha aldeia....
Todas as aldeias têm o seu encanto.
Bonitas igrejas com os altivos sinos, largos encantadores onde as pessoas se encontram ao final da tarde, fontes refrescantes, majestosas e fecundas arvores, um fugidio ribeiro onde outrora fluía abundante água cristalina, hortas verdejantes de mil cuidados, espaços amplos e mansos cruzados por cintilantes e sonoros pássaros, os jardins de lírios e açucenas, rostos curtidos de ventos e sois com rugas indeléveis que traduzem a dignidade do trabalho e do sonho.
O fontanário deu lugar a uma fonte luminosa de duvidoso bom gosto , o jardim da antiga feira foi remodelado com fundos da Europa , descaracterizando as linhas marcantes do frondoso sitio de outrora.
O alcatrão é avassalador e nosso companheiro desta viagem sôfrega rumo ao consumismo idolatrado.
A história da minha aldeia é um naco da história do nosso pobre país.
A história da minha aldeia não é diferente da história das outras aldeias.
Na verdade, nem nasci numa aldeia.
Nasci numa cidade .Cresci na aldeia dos meus pais. A minha cidade é do tamanho da aldeia dos meus pais.
A aldeia dos meus pais é do tamanho da minha cidade. Sou da cidade e da aldeia. Sou fruto do desejo de mudança e do sonho .
Da vontade de unir cidade com aldeia, de unir espírito com corpo num só ser.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
paisagens tristes
As linhas férreas constituem no seu conjunto um património indelével na memória das populações. O estrondoso impacto no desenvolvimento das cidades ,vilas e aldeias, o traçado engenhoso e mirífico ao longo do espreguiçar dos rios, e no serpentar das serras, espraindo-se depois nas luxuriantes planícies das chegadas, o comboio adquiriu ao longo dos anos um estatuto nacional ímpar na nossa História. Rasgar fragas, esventrar montes, vencer desníveis, alijar a pedra foi tarefa hercúlea dos nossos antepassados. Homenagear a sua indómita vontade de vencer e de acreditar no progresso era simplesmente manter o seu património. Ingloriamente não somos dignos da sua herança. Desistimos, abandonamos , esquecemos, este magnífico património, em nome do desenvolvimento e da modernidade. Amargamente trocamos as linhas férreas pelas auto-estradas fabulosas e dispendiosas. Chegaremos mais rápido, mais depressa através do asfalto.Mas aonde?
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Generosidades do povo português..
É sabido que o povo português é generoso. Várias foram as situações em que deu provas da sua generosidade. O estrondoso apoio a Timor-Leste, as manifestações concretas aos pedidos de ajuda da Cruz Vermelha, as solicitãções activas ao Banco Alimentar, etc.
Esta é uma generosidade boa. No entanto existe uma generosidade menos boa, talvez doentia que tem persistido nestes últimos trinta anos , a generosidade manifestada aos políticos do centro partidário do nosso sistema político (PS+PSD) . É tanto incompreensível quanto as malfeitorias que estes dois partidos têm feito durante os anos em que são responsáveis pela governação do país. Depois da verrinosa passagem pelo governo do PS de Socrates, o povo escolheu o PSD, partido cujo caldo cultural não se consegue distinguir do anterior. Os últimos acontecimentos com a entrada dos barões e boys assinalados para a CGD, para as Águas de Portugal e ainda para a EDP, são demonstrações inequivocas da semelhança genética destes partidos. Políticos que penalisam ferozmente as camadas mais frágeis da nossa sociedade, enriquecem de forma fraudulenta, empobrecem o Estado Português colocado-o numa situação de penúria , e continuam a ser bafejados pelo voto dos portugueses. Não, esta é uma expressão de generosidade má, mesmo perversa, que importa repensar, sob pena da nossa Sociedade deixar de ter sentido para as geraçõe vindoiras.
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